
O Indo-Pacífico é a nova balança do poder mundial
Comércio, semicondutores e alianças: por que o futuro do sistema internacional passa pela Ásia oriental
O Indo-Pacífico produz mais da metade do PIB global e concentra as cadeias de valor mais críticas do planeta — dos semicondutores de Taiwan às baterias da Coreia e do Japão. Nenhuma outra região combina tal densidade econômica com tal densidade de rivalidades.
A disputa sino-americana estruturou a região em torno de três variáveis: tecnologia, alianças e Taiwan. As restrições de exportação de chips avançados e o CHIPS Act americano são, na prática, um embargo tecnológico seletivo — a resposta chinesa é uma corrida acelerada por autossuficiência em semicondutores.
As alianças se reorganizaram em velocidade rara: Quad (EUA, Japão, Índia, Austrália), AUKUS e o reaproximação trilateral Japão–Coreia do Sul–EUA formam um arco de contenção que Pequim chama de 'cerco asiático da OTAN'.
O Estreito de Taiwan permanece o ponto mais perigoso do planeta. A assimetria é assustadora: Taiwan fabrica cerca de 90% dos chips mais avançados do mundo. Um conflito no estreito não teria equivalente na história econômica moderna.
Para os países da região, a estratégia dominante é o hedging: aprofundar laços econômicos com a China enquanto estreitam segurança com os EUA. É um equilíbrio cada vez mais difícil de sustentar.
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Fontes
- SIPRI Yearbook — gastos militares
- Banco Mundial — dados de comércio
- CSIS — ChinaPower Project
