
Sahel: o novo tabuleiro geopolítico da África
Golpes, jihdistas e a troca de parceiros: como a Rússia substituiu a França no coração da África Ocidental
Entre 2020 e 2024, três golpes de Estado redesenharam o Sahel. As novas juntas romperam com a França, criaram a Aliança dos Estados do Sahel (AES) e apostaram na parceria com a Rússia como alternativa à presença ocidental.
Os números explicam o interesse externo: o Níger responde por uma parcela relevante do urânio europeu, o Mali é exportador de ouro e toda a faixa atravessa rotas de tráfico que alimentam economias de guerra.
A troca de parceiros, porém, não estancou a insurgência. Os grupos jihadistas — JNIM e Estado Islâmico no Saara — expandiram território em 2024 e pressionam agora os Estados costeiros do Golfo da Guiné: Benim, Togo e Gana.
Para a Europa, o Sahel tornou-se uma questão de segurança energética (urânio), migratória e contraterrosista ao mesmo tempo. Para os EUA e China, é o terreno da disputa por influência na África Ocidental.
O futuro da região passa menos por escolhas ideológicas e mais pela capacidade — ou incapacidade — dos novos governos de entregar segurança básica e serviços. Enquanto isso, a comunidade internacional discute se isola ou engaja.
Mapa geopolítico
Explore a geografia por trás desta análise
Fontes
- ACLED — Armed Conflict Location & Event Data
- UN OCHA — Sahel humanitarian overview
- International Crisis Group — relatórios do Sahel
